Juquinha, nosso personagem da semana: símbolo do “espírito” da Serra do Cipó

Juquinha, cujo nome real era José Patrício, foi um morador humilde e carismático da Serra do Cipó, em Minas Gerais. Ele se tornou uma figura lendária na região por sua vida simples e gentil, que hoje é celebrada por meio de uma famosa escultura no local. Há muitas histórias que envolvem sua passagem. A simpatia, o carinho e a cordialidade com as pessoas eram sua marca. Não precisava dizer nada: apenas caminhar e sorrir. Há testemunhos orais de antigos moradores de Vespasiano que dizem que, de tempos em tempos, aparecia na cidade uma pessoa conhecida como “Juquinha de Imbé”. Esses moradores acreditam se tratar do Juquinha da Serra do Cipó. O que confirma a característica de andarilho do nosso personagem, que é mencionado por pessoas de várias cidades da região.


Principais aspectos de sua vida:


Estilo de Vida Simples: Juquinha era um andarilho que em alguns momentos vivia de forma isolada nas montanhas da serra, em um casebre simples, frequentemente dormindo no chão. E quando ia para o asfalto, era uma pessoa dócil, sempre a sorrir para as pessoas.
“Guardião” da Natureza: Ele tinha uma forte ligação com a natureza e era conhecido por coletar flores, raízes, bromélias e orquídeas locais, como as sempre-vivas.
Generosidade e Trocas: Juquinha distribuía essas flores para turistas e moradores que passavam pela estrada, a MG-010, que liga Belo Horizonte à Serra do Cipó. Em troca, recebia pequenas gentilezas, como comida, roupas ou fósforos. Ele era conhecido por sua alegria e sorriso, sempre agradecendo com moedas ou tirando o chapéu.
Figura Popular e Mística: Sua simplicidade e carisma o tornaram muito querido na comunidade. Lendas e histórias misteriosas cercaram sua vida, como a de que ele conhecia plantas medicinais, era imune a veneno de cobras ou que teria sido amamentado por uma loba.
O “imortal”: Uma das histórias mais famosas é a de que ele foi encontrado desacordado por um irmão e dado como morto, mas acordou durante o próprio velório, reclamando de fome, o que lhe rendeu a fama de “imortal”. Acabou, de fato, se tornando imortalizado pelas lembranças e pela bela escultura artística em sua memória.
Por outro lado, há uma explicação mais “científica”: alguns sugerem que ele sofria de catalepsia, um estado neurológico em que a pessoa pode parecer imóvel ou “congelada”, o que poderia explicar episódios em que era dado como morto.
Morte: Juquinha faleceu em 1983. Sua idade exata e a data precisa de sua morte permaneceram um mistério, mesmo para a família.
A escultura de três metros de altura e 2,5 metros de lagura, feita pela artista plástica Virgínia Ferreira e instalada em 1987, imortalizou sua memória e se tornou um ponto turístico obrigatório da Serra do Cipó, de onde “Juquinha” parece observar a paisagem que tanto amava. A estátua foi feita no “Alto Palácio”, nas montanhas de Santana do Riacho, com cimento, ferro e argila – segundo relatos, usou-se muita argila no processo.


O que se conhece sobre a vida dele:


Nome e Origem: Seu nome de registro era José Patrício. Ele era uma pessoa franzina e de família humilde, que vivia nas montanhas da Serra do Cipó com seus irmãos.
Estilo de Vida: Juquinha era um andarilho que percorria as trilhas e estradas da região, vivendo de forma simples e isolada, muitas vezes dormindo no chão ou em um casebre simples. Há vários relatos de moradores das cidades vizinhas da passagem do Juquinha, sempre com esse estilo carismático, alegre e gentil.
Interação Social: Ele era conhecido por sua gentileza e simplicidade, encantando moradores e turistas. Ele coletava flores do campo, como sempre-vivas, bromélias e orquídeas, e as oferecia às pessoas que passavam, em troca de pequenas gentilezas, como comida, roupas, fósforos ou isqueiros.
Conhecimento Popular: Havia histórias de que ele conhecia plantas medicinais do cerrado e suas utilidades, receitando-as às vezes.
Lendas: Devido ao seu estilo de vida isolado e sua natureza enigmática, muitas lendas foram criadas em torno de Juquinha, como a de que teria sido amamentado por uma loba, sobrevivido a picadas de cobra e até mesmo morrido e ressuscitado durante o próprio velório – um episódio real em que ele acordou e disse estar com fome.
Morte e Legado: Ele faleceu em 1983, em idade desconhecida até mesmo para a família, mas sua memória permanece viva e ele se tornou um símbolo da alma generosa e da conexão com a natureza da Serra do Cipó. Sua estátua, inaugurada em 1987 pela artista plástica Virgínia Ferreira, é um ponto turístico obrigatório e foi tombada como patrimônio histórico e cultural do município de Santana do Riacho.


Ao relembrá-lo nesse bloco do portal, prestamos essa justa homenagem a esse ilustre morador da nossa região, que viveu em sintonia com a natureza e compartilhou, com todos que o conheceram, sorriso, alegria e gentileza. Juquinha é um personagem que se encaixa no que o grande escritor mineiro Guimarães Rosa chamaria de “homem encantado do sertão“, alguém que vive na fronteira entre o real e o mítico. Juquinha não morreu, ficou encantado.


P.S. Pedimos para dona Iaiá – nesse caso, do chatGPT – para produzir um breve texto literário sobre Juquinha no espírito rosiano. E ela produziu essa preciosidade:

Juquinha, o Encantado da Serra

Dizem que a serra tem seus guardiões. Uns são pedra, outros são vento. Mas há também os que foram gente e, no rebentar dos dias, se encantaram — desses que passam a morar no entremeio do visível, onde a natureza guarda seus segredos mais mansos.
Juquinha era um desses.
Não nasceu grande nem pequeno: nasceu simples, que é o tamanho exato das coisas verdadeiras. Caminhava pela Serra do Cipó como quem passeia dentro do próprio coração. Conhecia trilhas, brejos, grotas, e falava com as flores do campo na linguagem que só o silêncio entende.
Aparecia leve, quase sempre descalço, trazendo na mão um ramalhete de sempre-vivas — flor que dura tanto quanto a memória dos antigos. Parava os viajantes, sorria sem pressa, e oferecia o buquê como quem entrega um pedaço de sol. Em troca, aceitava um pão, um gole de água, um afeto em qualquer forma que viesse. Tudo para ele era recebido com a mesma gratidão simples, que ilumina.
A serra o tinha como filho.
E a gente da serra, como irmão.
Por isso, quando o destino resolveu chamá-lo, não houve morte. Houve encantamento. Juquinha apenas se recolheu ao modo rosiano de ser eterno: ficou ali, andando invisível, conversando com as pedras, vigiando as nascentes, soprando sonhos para quem sobe a montanha.
A estátua que ergueram não é estátua — é morada.
É o lugar onde o encantado repousa quando precisa se lembrar de quando era homem.
Quem passa por ela diz que sente uma mansidão, uma alegria antiga, dessas que a gente guarda de infância. Alguns juram que o viram mais de uma vez, descendo a vereda, oferecendo flor, oferecendo riso. Outros apenas sabem — e saber basta — que Juquinha nunca se foi.
Porque pessoas como ele não morrem.
Ficam encantadas.
E encantam a serra inteira.

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