Na foto, o professor Orlando Francisco da Cruz, exibindo a medalha recebida pelos relevantes serviços prestados à cultura nacional.

Orlando Francisco da Cruz: um vespasianense de alma e coração

Por: Euler Jr., editor do Portal Cidades da Grande BH e do Colar Metropolitano

“Vespasiano também tem uma praça, tão linda, tão linda” — eis a passagem da música que se tornou o hino popular da cidade mineira de Vespasiano. Seu autor, Orlando Francisco da Cruz, natural do Rio de Janeiro, mudou-se para Vespasiano provavelmente em meados da década de 40. Nesse município, o Sr. Orlando permaneceu por várias décadas, até se encantar, novamente e pela última vez, à beira de uma praia do Espírito Santo.

O Sr. Orlando, também chamado de “Professor Orlando”, era uma figura ímpar. Foi professor de datilografia em uma época em que dominar esse ofício era condição essencial para conseguir um bom emprego, fosse ele público ou privado. Lecionou também na Escola Estadual Machado de Assis.

Apaixonado por Vespasiano e pelas artes, foi diretor de várias peças de teatro. A primeira delas, Sinhá Moça Chorou, que inaugurou o Círculo Operário da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em 1946. A última, em parceria com Iolanda (Landinha) Maria Marani, foi Chapeuzinho Vermelho, no início da década de 90, encenada no prédio do antigo Terminal Rodoviário Vereador João Silva, que mais tarde se tornaria o Palácio das Artes Nair Fonseca Lisboa. No Carnaval, envolvia-se sempre com a organização das escolas de samba que desfilavam na avenida central da cidade, a JK. Autor de crônicas, contos e poesias, ganhou prêmios nacionais em publicações coletivas.

Em meados da década de 60, o Professor Orlando criou o jornal O Vespasianense, com um texto refinado, sempre destacando as coisas boas da cidade, a começar pela sua gente e pelos fazeres da época. Ainda me lembro de quando o procurei, no final da década de 70, em São José da Lapa — então distrito de Vespasiano, onde ele passou a residir. Fui informá-lo de que pretendia criar um novo jornal. Ele não apenas apoiou minha iniciativa, como fez questão de me doar um pequeno Manual de Redação. Orlando acabou por sugerir a palavra final do nome do periódico: Impulso Progressista. Quando o jornal foi publicado, o Sr. Orlando tornou-se colunista permanente, algumas vezes assinando seus belos textos com o pseudônimo “Cruz Francisco”.

Sua paixão por Vespasiano era tão grande que ele se empenhou em escrever a letra e a música — incluindo a partitura — daquela que se tornaria o hino popular da cidade: Poema-Exaltação – Vespasiano em Três Tempos. Nela, Orlando imortaliza a bela Praça Professora Júlia Chalita, em frente à Igreja Matriz, recentemente remodelada, onde a prefeitura inaugurou o busto da fundadora da cidade, Dona Mariana Joaquina da Costa. Na frase final da bela canção, o Professor Orlando revela seu amor pela terra que adotara: “Sou vespasianense, de alma e coração!”

Que as novas gerações, ao percorrerem as estradas do tempo e embrenharem-se nas memórias que urdiram cada pedaço da história de Vespasiano — do antigo Arraial do Capão aos dias atuais — não se esqueçam desse importante personagem: Orlando Francisco da Cruz.