Um Herói de Vespasiano no Gelo da Europa

Equipe clássica do Clube Atlético Mineiro no final da década de 1940. Em destaque (terceiro em pé, da esquerda para a direita), o curinga Afonso Silva, conhecido carinhosamente em nossa região como Afonso Bandejão. Ao seu lado, ao centro, o lendário goleiro Kafunga.
Pela editoria do portal
Esta fotografia do nosso acervo não é apenas um registro esportivo; é um pedaço da história de Vespasiano entrelaçada à glória do futebol mineiro. Afonso Silva foi peça fundamental na mítica excursão à Europa em 1950, que rendeu ao Atlético o título de “Campeão do Gelo“, feito imortalizado até hoje no hino do clube.
Enquanto o time vencia gigantes europeus sob neve e temperaturas que chegavam a 15 graus negativos, Afonso levava o nome da nossa região aos gramados de Paris, Viena e Munique. Embora nascido em Pedro Leopoldo, Afonso escolheu Vespasiano para viver e criar sua família ao lado de Dona Mariquita. Sua importância para a cidade seguiu viva por meio de sua generosidade em descobrir e encaminhar jovens talentos locais, como o craque Buião, para os grandes clubes da capital.


De Bandejão a Éder Aleixo
A história do futebol em Vespasiano segue uma linhagem de excelência que ganhou força com a solidez defensiva de Afonso Silva nos anos 50. Foi ele quem abriu as portas do Atlético para o craque Buião, que viria a se tornar um dos maiores pontas-direita da história do Galo e do Corinthians. Por sua vez, Buião serviu de inspiração para um jovem canhoto que chutava bolas incansavelmente nos campos da cidade: Éder Aleixo.
Conhecido mundialmente como o “Canhão de Vespasiano”, Éder levou o nome de nossa terra ao ápice do futebol na Copa de 1982, sendo protagonista daquela seleção inesquecível com gols antológicos contra a União Soviética e a Escócia.


Gugu e Batista
O legado de Afonso Silva atravessou gerações. Seu neto, Luiz Gustavo (o Gugu), herdou o DNA esportivo da família e brilhou nos gramados de Portugal, defendendo camisas históricas como as de Belenenses, Sporting e Benfica.
Não podemos deixar de mencionar outro talento vespasianense que, por coincidência, morava na mesma Rua Francisco Lima onde viveu Afonso: Batista Conrado Silva. Embora não tenha seguido a carreira profissional, Batista era reconhecido como um dos maiores jogadores do futebol local nos anos 50. Foi nos gramados dos dois campos tradicionais da cidade — o Vespasiano E.C. e o Independente F.C. — que essa linhagem de heróis da bola se formou, para eterno orgulho dos nossos moradores.
Dos Casos & Coisas da Minha Terra…

A destemida equipe do Guarani F.C.
O desempenho de Bicota como goleiro do Guarani
Confira a seguir os registros de algumas equipes históricas de Vespasiano. O destaque vai para o lendário Guarani F.C., que contava com dois grandes “craques”: o goleiro Bicota e seu compadre Quinha.
A média de gols era curiosa: Bicota costumava sofrer cinco por partida, sendo que, invariavelmente, pelo menos dois eram gols contra marcados pelo lateral Quinha. Em um causo narrado ao editor-chefe deste portal, Euler Jr., há três décadas, Bicota revelou os bastidores de uma partida inesquecível:
“Certa ocasião, o Guarani F.C. enfrentou o Baronesa. O técnico e diretor do time, o conhecido Quinha, escalou a equipe deixando a si próprio e ao Anastácio no banco de reservas — uma clara demonstração de modéstia da diretoria.
O jogo começou e o Guarani vencia por 1 a 0. Eu, como goleiro atento a tudo, gritei para o banco:
— Ô compadre, tô achando que o Baronesa tá com 12 em campo!
— Tá não, compadre! — respondeu Quinha, tenso com o jogo.
— Tá sim, compadre! — insisti.
Depois de muito bate-boca, pararam a partida para conferir. Contaram os jogadores do Baronesa: 11, conforme manda o figurino. Resolveram, então, contar os do próprio Guarani. Descobriram que o time jogava com apenas nove, enquanto Anastácio e Quinha ‘esquentavam’ o banco há quase meia hora. Os dois craques entraram em campo e o resultado final foi acachapante: 9 a 1 para o Baronesa.
Detalhe: os nove gols foram de pênalti — cinco cavados pelo Quinha e quatro pelo Anastácio. E para completar o cenário, com o gramado molhado, Quinha desfilou em campo de uniforme completo e sapato Vulcabrás 752.
Com a voz embargada, o goleiro Bicota finalizou o desabafo com uma confissão:
“Minha maior tristeza na carreira foi ter tomado um gol de cabeça do Paulinho Coelho e outro do Gordo, irmão do famoso lateral Quinha.”
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